
O equipamento que utilizo habitualmente no Caminho de Santiago quando espero encontrar frio, chuva, vento ou condições meteorológicas exigentes. Não utilizo todas estas peças ao mesmo tempo. O segredo está no sistema de camadas, que me permite adaptar rapidamente o equipamento às condições de cada etapa.
Conselhos de Luís Negrita, Guia Profissional do Passa Montanhas
Depois de termos falado sobre o calçado ideal para o Caminho de Santiago, das meias técnicas, da prevenção das bolhas, dos bastões de caminhada, da escolha da mochila e da melhor forma de a preparar, chegamos finalmente a outro dos temas que mais dúvidas levanta entre os peregrinos.
Que roupa devo levar para o Caminho de Santiago?
É provavelmente a pergunta que mais vezes ouço durante as caminhadas de preparação, nas sessões de mentoria e antes do início de cada peregrinação.
A resposta, no entanto, raramente é aquela que as pessoas esperam.
Muitos peregrinos procuram uma lista de roupa para o verão, outra para o inverno e talvez outra para a primavera ou para o outono.
Na realidade, a experiência ensinou-me que essa não é a melhor forma de preparar o equipamento.
Ao longo de milhares de quilómetros percorridos nos diferentes Caminhos de Santiago fui simplificando cada vez mais aquilo que transporto.
Hoje não penso em roupa de verão ou roupa de inverno.
Penso num sistema.
Um sistema de equipamento que me permita adaptar rapidamente às condições meteorológicas que vou encontrar durante o Caminho.
Porque no Caminho de Santiago tudo pode mudar em poucas horas.
Podemos começar uma etapa ainda de madrugada com temperaturas próximas dos 5 °C, subir uma serra onde sopra um vento frio, apanhar chuva durante parte da manhã e terminar a caminhar ao sol com mais de 20 °C.
Tudo isto pode acontecer no mesmo dia.
É precisamente por isso que preparar corretamente a roupa faz muito mais diferença do que muitas pessoas imaginam.
Um equipamento bem escolhido permite caminhar durante horas com conforto, reduz o desgaste físico, ajuda a prevenir lesões e transforma completamente a experiência da peregrinação.
Pelo contrário, uma escolha errada pode significar caminhar constantemente com frio, demasiado calor, roupa molhada, assaduras ou uma mochila demasiado pesada.
Neste guia vou mostrar-lhe exatamente como escolho o meu equipamento.
Não encontrará apenas uma lista de roupa.
Encontrará a filosofia que utilizo sempre que preparo um Caminho de Santiago, independentemente da época do ano.
É essa experiência que quero agora partilhar consigo.
Não existe roupa de verão nem roupa de inverno. Existe roupa adequada às condições.
Este é provavelmente o primeiro mito que importa desfazer.
É muito comum ouvir perguntas como:
“Vou fazer o Caminho em março. Que roupa devo levar?”
Ou então:
“Vou fazer o Caminho Português em agosto. Preciso apenas de roupa leve?”
A realidade é bastante diferente.
O mês em que fazemos o Caminho diz-nos muito pouco.
Aquilo que realmente interessa são as condições meteorológicas que vamos encontrar.
Março pode oferecer dias praticamente primaveris.
Mas também pode trazer neve no Caminho Primitivo.
Agosto pode significar temperaturas superiores a 35 °C.
Ou vários dias consecutivos de chuva no Caminho do Norte.
É por isso que nunca preparo o equipamento apenas olhando para o calendário.
Começo sempre por estudar cuidadosamente a previsão meteorológica.
Depois adapto o meu sistema de camadas.
Esta abordagem permite-me utilizar praticamente o mesmo equipamento durante todo o ano, alterando apenas algumas peças específicas.
O resultado é uma mochila mais leve, uma organização muito mais simples e uma capacidade muito maior para responder às mudanças do tempo.
Ao longo dos anos percebi que o segredo não está em possuir muita roupa.
O segredo está em possuir a roupa certa.
O objetivo não é levar muita roupa
Existe uma tendência natural, sobretudo em quem vai fazer o primeiro Caminho de Santiago.
Pensamos sempre:
“E se fizer muito frio?”
“E se chover durante vários dias?”
“E se precisar desta camisola?”
“E se precisar destas calças?”
Resultado.
Começamos a colocar roupa extra na mochila.
Depois mais uma camisola.
Mais um casaco.
Mais um par de calças.
Quando damos por isso, transportamos vários quilogramas de roupa que nunca chegam a sair da mochila.
Ao longo dos anos aprendi uma regra muito simples.
Cada peça deve justificar o espaço que ocupa.
Cada peça deve ter uma função.
Se uma peça não resolve um problema específico, provavelmente não faz falta.
No Caminho ninguém repara na marca da camisola.
Ninguém pergunta se as calças pertencem à coleção deste ano.
Aquilo que realmente interessa é caminhar confortável.
Caminhar seco.
Caminhar protegido.
E chegar ao final da etapa com energia para desfrutar do restante dia.
É por isso que privilegio sempre a funcionalidade.
Menos peso significa menos esforço.
Menos esforço significa menos desgaste.
E menos desgaste significa muito mais prazer ao longo do Caminho.
O algodão continua a ser o maior inimigo do peregrino
Se existe um erro que continua a repetir-se todos os anos é este.
Levar camisolas de algodão.
No dia a dia o algodão é extremamente confortável.
Mas durante uma caminhada de várias horas apresenta praticamente todas as características que não queremos.
Absorve rapidamente a transpiração.
Retém a humidade.
Demora muito tempo a secar.
Fica pesado.
Quando paramos para descansar começa rapidamente a arrefecer.
E aumenta significativamente o risco de assaduras.
Quem já caminhou durante horas com uma camisola de algodão molhada sabe exatamente do que estou a falar.
É precisamente para evitar estes problemas que aconselho sempre roupa técnica.
Os tecidos sintéticos modernos foram desenvolvidos para transportar rapidamente a humidade para o exterior.
Secam muito depressa.
São leves.
Respiráveis.
E continuam confortáveis mesmo depois de muitas horas de caminhada.
Existe ainda outra excelente alternativa.
A lã merino.
Sobre ela falaremos mais à frente, porque merece um capítulo próprio.
O segredo está no sistema de camadas
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o segredo não está numa camisola muito quente ou num casaco extremamente grosso.
O segredo está na combinação das diferentes peças.
É aquilo a que chamamos sistema de camadas.
Este sistema é utilizado há muitos anos por montanhistas, praticantes de trekking e guias de montanha.
Também é aquele que utilizo em todos os Caminhos de Santiago.
Na prática funciona de forma muito simples.
Cada camada tem uma função específica.
A primeira camada gere a transpiração.
A segunda camada conserva o calor produzido pelo corpo.
A terceira camada protege do vento e da chuva.
Quando começamos a sentir calor retiramos uma camada.
Quando o vento aumenta ou começa a chover voltamos a vestir outra.
Em poucos segundos conseguimos adaptar-nos às novas condições sem necessidade de transportar roupa em excesso.
Esta é provavelmente a maior diferença entre quem caminha com conforto durante todo o dia e quem passa o Caminho constantemente a sentir frio ou demasiado calor.
O equipamento que normalmente levo para o Caminho de Santiago
Ao longo dos anos fui simplificando cada vez mais aquilo que transporto.
Hoje levo apenas o equipamento que sei, pela experiência, que pode fazer diferença durante o Caminho.
Importa referir que esta lista não pretende ser uma regra absoluta.
Cada peregrino é diferente.
Existem pessoas que sentem mais frio.
Outras transpiram mais.
Algumas preferem botas.
Outras sentem-se mais confortáveis com sapatilhas de trail.
O importante não é copiar exatamente esta lista.
O importante é compreender a lógica por detrás de cada escolha.
Normalmente levo comigo:
- Botas ou sapatilhas de caminhada, conforme o percurso e a época do ano.
- Sandálias Teva Terra Fi 5 Universal, que utilizo no final de cada etapa para permitir que os pés recuperem. Sempre que surge alguma bolha ou outra dificuldade, posso utilizá-las com uma meia técnica, reduzindo a pressão sobre as zonas mais sensíveis.
- Chapéu de abas largas para proteção solar.
- Buff multifunções.
- Duas camisolas técnicas de manga curta.
- Duas camisolas em lã merino para temperaturas mais baixas.
- Casaco Softshell.
- Casaco de plumas.
- Casaco impermeável e respirável.
- Poncho impermeável.
- Calças técnicas.
- Roupa interior técnica.
- Três ou quatro pares de meias técnicas.
- Polainas quando prevejo lama ou vegetação molhada.
- Meias de compressão sem pé (opcional).
- Gorro.
- Luvas.
À primeira vista pode parecer muito equipamento.
Na realidade não é.
Porque nunca utilizo todas estas peças ao mesmo tempo.
Trata-se apenas de um sistema.
Cada elemento entra em ação apenas quando é realmente necessário.
É precisamente essa versatilidade que me permite caminhar praticamente em qualquer Caminho de Santiago com uma mochila equilibrada e sem transportar peso desnecessário.
Uma última ideia antes de continuarmos…
Ao longo de milhares de quilómetros aprendi que a roupa não serve para impressionar ninguém.
Serve para resolver problemas.
No Caminho de Santiago ninguém avalia a marca do casaco ou da camisola.
Mas todos sentimos a diferença entre caminhar secos ou molhados, confortáveis ou desconfortáveis, leves ou com uma mochila demasiado pesada.
É precisamente por isso que, nos próximos capítulos, vamos analisar cada camada em detalhe.
Vamos perceber quando faz sentido utilizar roupa técnica, quando vale a pena investir em lã merino, qual a diferença entre um polar, um casaco de plumas e um Softshell e como escolher um impermeável que realmente faça diferença quando o tempo muda.
A primeira camada: a base de todo o o sistema
Quando falamos sobre roupa para o Caminho de Santiago, a maioria das pessoas pensa imediatamente no casaco impermeável, no polar ou no casaco de plumas.
No entanto, existe uma peça muito mais importante.
A primeira camada.
É ela que está em contacto direto com a pele durante toda a caminhada e é responsável por uma das funções mais importantes do nosso equipamento: gerir a transpiração e ajudar a regular a temperatura corporal.
Pode parecer um detalhe.
Mas, depois de muitas horas a caminhar, essa diferença sente-se em cada quilómetro.
Uma primeira camada inadequada significa roupa constantemente húmida, maior risco de assaduras, desconforto e uma sensação permanente de frio sempre que paramos para descansar.
Uma boa primeira camada faz exatamente o contrário.
Afasta rapidamente a humidade da pele.
Mantém-nos secos durante mais tempo.
Ajuda a estabilizar a temperatura corporal.
E melhora significativamente o conforto ao longo de toda a etapa.
É por isso que considero esta a peça mais importante de todo o equipamento.

As camisolas que utilizo como primeira camada no Caminho de Santiago. Dependendo das condições meteorológicas, opto por modelos técnicos sintéticos ou por camisolas em lã merino. O objetivo é sempre o mesmo: manter o corpo seco e confortável durante toda a caminhada.
Porque razão a primeira camada é tão importante?
Durante uma etapa do Caminho de Santiago caminhamos normalmente entre cinco a 10 horas.
Mesmo em dias frios, o corpo produz calor.
Ao mesmo tempo, começamos a transpirar.
Essa transpiração faz parte do processo natural de regulação da temperatura corporal.
O problema surge quando essa humidade permanece junto à pele.
Se isso acontecer, começamos rapidamente a sentir desconforto.
Quando paramos para descansar ou chega uma rajada de vento, a roupa húmida começa a retirar calor ao corpo.
É precisamente aqui que entram os tecidos técnicos.
Uma boa primeira camada não absorve a transpiração como acontece com o algodão.
Pelo contrário.
Transporta rapidamente essa humidade para o exterior, onde pode evaporar.
O resultado é uma sensação de conforto muito superior durante toda a caminhada.
Quem experimenta pela primeira vez uma camisola técnica de qualidade percebe rapidamente a diferença.
Roupa técnica: um investimento que vale a pena
Ao longo dos anos experimentei equipamento de várias marcas e em diferentes gamas de preço.
Cheguei à conclusão de que não existe uma marca perfeita. Porque cada marca tem um produto muito bom e devemos escolher o melhor de cada.
Existem boas peças.
Independentemente da marca escolhida, procuro sempre quatro características fundamentais.
Respirabilidade
A camisola deve permitir que o suor seja transportado rapidamente para o exterior.
Quanto melhor for esta capacidade, maior será o conforto durante a caminhada.
Secagem rápida
Uma das grandes vantagens da roupa técnica é a rapidez com que seca.
No Caminho de Santiago é muito comum lavar a roupa no final da etapa.
Com uma camisola técnica, muitas vezes basta uma noite para que esteja novamente pronta a utilizar na manhã seguinte.
Este aspeto permite reduzir significativamente a quantidade de roupa transportada.
Leveza
Cada grama conta.
Quando caminhamos durante centenas de quilómetros percebemos rapidamente isso.
Uma camisola leve ocupa menos espaço na mochila e reduz o peso total do equipamento.
Pode parecer pouco.
Mas ao fim de vários dias faz toda a diferença.
Conforto
Uma camisola técnica deve praticamente desaparecer durante a caminhada.
Não deve prender os movimentos.
Não deve criar zonas de atrito.
Nem provocar irritações.
Quando isso acontece significa que escolhemos o modelo certo.
No verão utilizo frequentemente manga comprida
Esta é uma das escolhas que mais surpreende quem caminha comigo.
É habitual pensar que temperaturas elevadas significam camisolas de manga curta.
Na prática nem sempre é assim.
Durante o verão utilizo frequentemente uma camisola técnica de manga comprida com proteção solar (UPF).
À primeira vista pode parecer uma escolha contraditória.
Mas basta caminhar alguns dias sob um sol intenso para perceber as vantagens.
Os braços ficam protegidos da radiação solar.
Reduzimos significativamente o risco de queimaduras.
E evitamos a aplicação constante de protetor solar nos membros superiores.
Além disso, muitas destas camisolas permitem uma excelente circulação do ar.
Em vez de aumentar a sensação de calor, ajudam a manter uma temperatura corporal mais estável.
É uma solução muito utilizada por praticantes de trekking, montanhismo e caminhadas de longa distância.
Também passou a fazer parte do meu equipamento habitual.
Quando as temperaturas descem, a minha escolha chama-se lã merino
Se tivesse de escolher apenas uma peça de roupa para caminhar em tempo frio, provavelmente seria uma camisola em lã merino.
É uma fibra natural extraordinária.
Ao longo dos anos tornou-se a minha primeira escolha sempre que espero encontrar temperaturas mais baixas.
A lã merino apresenta características muito difíceis de encontrar noutros materiais.
Continua a aquecer mesmo quando está ligeiramente húmida.
É extremamente respirável.
Regula muito bem a temperatura corporal.
Controla naturalmente os odores.
E proporciona um conforto difícil de explicar a quem nunca a experimentou.
Durante caminhadas de vários dias, esta capacidade de controlar os odores torna-se particularmente interessante.
Mesmo após várias utilizações continua agradável de usar.
É por isso que ocupa um lugar permanente na minha mochila sempre que o Caminho decorre em condições mais frias.
A gramagem faz toda a diferença
Quando falamos em lã merino existe um detalhe que raramente é explicado.
A gramagem.
Nem todas as camisolas são iguais.
Quanto maior for a gramagem, maior será normalmente a capacidade de isolamento térmico.
Para a maioria dos Caminhos de Santiago considero que a melhor opção situa-se entre 160 e 190 g/m².
Esta gramagem oferece um excelente equilíbrio entre conforto, respirabilidade e capacidade de aquecimento.
É suficientemente leve para caminhar durante muitas horas.
Mas oferece proteção suficiente para as manhãs frias e para as mudanças de temperatura tão frequentes ao longo do Caminho.
Como cuidar da roupa técnica e da lã merino
Comprar bom equipamento é importante.
Mas saber cuidar dele é igualmente essencial.
Existe um erro muito comum.
Utilizar amaciador.
Nunca utilizo amaciador na roupa técnica nem na lã merino.
O motivo é simples.
O amaciador cria uma película sobre as fibras.
Essa película reduz significativamente a capacidade de transportar a humidade para o exterior.
Ou seja, estamos precisamente a eliminar uma das principais vantagens da roupa técnica.
A recomendação é simples.
Lave sempre de acordo com as instruções do fabricante.
Utilize detergentes suaves.
Evite temperaturas elevadas.
Sempre que possível deixe secar naturalmente.
Desta forma a roupa manterá as suas características durante muitos anos.
Tenho camisolas técnicas com vários anos de utilização que continuam perfeitamente funcionais porque foram sempre cuidadas desta forma.
Vale a pena investir em roupa cara?
Esta é outra pergunta que ouço frequentemente.
A resposta é semelhante à que dou em relação às mochilas e ao calçado.
Nem sempre.
Uma camisola muito cara não garante automaticamente maior conforto.
Da mesma forma, existem modelos com preços bastante acessíveis que oferecem um excelente desempenho.
Mais importante do que a marca é escolher uma camisola adequada ao tipo de utilização.
Experimentá-la.
Confirmar que permite liberdade de movimentos.
E perceber se o tecido responde bem às condições em que vamos caminhar.
Ao longo dos anos utilizei equipamento de marcas diferentes.
Nunca fiquei preso a uma única marca.
Prefiro escolher cada peça pela sua qualidade e pela função que desempenha no meu sistema de equipamento.
É essa liberdade que me permite adaptar constantemente a mochila às necessidades de cada Caminho.
A primeira camada é aquela que nunca deve falhar
Se tivesse de dar apenas um conselho sobre roupa para o Caminho de Santiago seria este.
Invista primeiro numa boa primeira camada.
Antes do casaco de plumas.
Antes do impermeável.
Antes do polar.
É ela que estará em contacto consigo durante toda a etapa.
É ela que vai gerir a transpiração.
É ela que vai ajudar a manter o corpo seco.
E é ela que vai determinar grande parte do conforto ao longo de centenas de quilómetros.
Uma boa primeira camada não faz milagres.
Mas torna todo o restante sistema muito mais eficiente.
É por isso que considero esta a base de todo o equipamento.
No próximo capítulo
Depois de percebermos a importância da primeira camada, vamos analisar a camada de isolamento.
Qual a diferença entre um polar, um casaco de plumas e um Softshell?
A camada de isolamento: conservar o calor sem aumentar o peso da mochila
Depois de escolher uma boa primeira camada, chega o momento de decidir como vamos conservar o calor produzido pelo nosso corpo.
É precisamente essa a função da camada de isolamento.
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, esta camada não serve para aquecer o corpo.
Quem produz calor somos nós.
O papel desta camada é impedir que esse calor se perca demasiado rapidamente para o ambiente.
É um conceito simples, mas muito importante.
Quando caminhamos, o nosso organismo produz calor através do esforço físico.
Se esse calor permanecer junto ao corpo, sentimo-nos confortáveis.
Se for rapidamente dissipado pelo vento, pela chuva ou pelas baixas temperaturas, começamos a sentir frio.
É aqui que entram peças como o polar, o casaco de plumas e o Softshell.
Todas elas ajudam a conservar o calor.
Mas fazem-no de formas diferentes.
Conhecer essas diferenças permite escolher melhor o equipamento e evitar transportar peso desnecessário.

As duas peças de isolamento que utilizo com maior frequência no Caminho de Santiago. O casaco de plumas é a minha escolha para temperaturas mais baixas. O Softshell oferece uma excelente combinação entre proteção contra o vento, respirabilidade e conforto durante a caminhada.
O polar continua a ser uma excelente opção
Durante muitos anos o polar foi praticamente a única camada de isolamento utilizada pelos praticantes de montanhismo e trekking.
Ainda hoje continua a ser uma excelente escolha.
É confortável.
Respirável.
Seca rapidamente.
Mantém alguma capacidade de isolamento mesmo quando fica ligeiramente húmido.
Além disso, apresenta normalmente um preço bastante acessível.
Quando utilizo um polar, procuro modelos de aproximadamente 200 g/m².
Na minha opinião oferecem o melhor equilíbrio entre peso, conforto e capacidade de isolamento.
São suficientes para a maioria das situações que encontramos no Caminho de Santiago.
No entanto, atualmente existem outras soluções igualmente interessantes.
Casaco de plumas: muito calor com muito pouco peso
Quando sei que vou encontrar temperaturas realmente baixas, a minha escolha passa normalmente pelo casaco de plumas.
A sua principal vantagem é simples.
Consegue oferecer uma enorme capacidade de isolamento ocupando muito pouco espaço na mochila.
É difícil encontrar outra peça com uma relação peso/calor tão favorável.
É precisamente por isso que continua a ser uma das minhas escolhas para Caminhos realizados durante o inverno ou em zonas de maior altitude.
Outra grande vantagem é a compressibilidade.
Quando deixa de ser necessário, dobra-se facilmente e ocupa muito pouco espaço dentro da mochila.
No entanto, também apresenta algumas limitações.
As plumas perdem parte da sua eficácia quando ficam completamente molhadas.
É precisamente por isso que raramente utilizo um casaco de plumas como camada exterior.
Normalmente funciona como camada intermédia, protegida por um impermeável quando existe possibilidade de chuva.
Softshell: provavelmente a peça mais versátil de toda a mochila
Se tivesse de escolher apenas uma peça de isolamento para a maioria dos Caminhos de Santiago, provavelmente seria um casaco Softshell.
Na minha opinião é uma das peças mais equilibradas de todo o equipamento.
Na prática consegue combinar várias funções numa única peça.
Protege muito bem do vento.
Oferece um bom isolamento térmico.
É bastante respirável.
Permite caminhar confortavelmente durante várias horas sem provocar um excesso de aquecimento.
É precisamente esta versatilidade que faz com que o utilize com enorme frequência.
Sempre que a previsão aponta apenas para frio moderado, vento e ausência de chuva persistente, é normalmente a primeira escolha.
Em muitas situações acaba mesmo por substituir o polar.
E, dependendo das temperaturas, pode dispensar o casaco de plumas.
Isto significa menos peso.
Menos volume.
E uma mochila mais simples.
Afinal, qual devo escolher?
Esta é provavelmente uma das perguntas que mais me fazem.
A resposta é sempre a mesma.
Depende.
Não existe uma resposta universal.
Existe apenas a melhor escolha para as condições meteorológicas previstas.
Se espero temperaturas muito baixas, opto pelo casaco de plumas.
Se espero vento e frio moderado, escolho normalmente o Softshell.
Se procuro uma solução económica, confortável e bastante versátil, um bom polar continua a ser uma excelente opção.
O importante não é possuir todas estas peças.
O importante é perceber quando cada uma faz realmente sentido.
O erro mais comum
Ao preparar o primeiro Caminho de Santiago, muitos peregrinos acabam por levar:
- Polar.
- Casaco de plumas.
- Softshell.
Tudo ao mesmo tempo.
Na maioria das situações isso não faz qualquer sentido.
Estamos simplesmente a transportar peso.
Ao longo dos anos fui percebendo que transportar três peças de isolamento diferentes raramente se justifica.
Prefiro escolher aquela que melhor responde às condições meteorológicas previstas.
É uma decisão simples.
Mas representa menos peso durante centenas de quilómetros.
Mais roupa nem sempre significa mais conforto
Existe uma ideia muito enraizada.
Se estiver frio, basta vestir mais roupa.
Na prática, isso nem sempre resulta.
Quando utilizamos demasiadas camadas começamos rapidamente a transpirar.
Essa transpiração acaba por humedecer a primeira camada.
Mais tarde, quando diminuímos o ritmo ou fazemos uma pausa, essa humidade começa a arrefecer o corpo.
É precisamente por isso que muitas pessoas alternam constantemente entre sentir demasiado calor e demasiado frio.
A solução passa por utilizar poucas camadas, mas bem escolhidas.
Sempre que começo a aquecer demasiado, retiro imediatamente uma camada.
Não espero ficar completamente encharcado em suor.
Gerir as camadas faz parte da caminhada.
É um processo contínuo.
E, quanto mais cedo aprendermos isso, mais confortável será o Caminho.
A minha forma de decidir
Quando preparo qualquer Caminho de Santiago faço sempre as mesmas perguntas.
Qual será a temperatura mínima?
Qual será a temperatura máxima?
Existe previsão de vento?
Existe previsão de chuva?
Vou caminhar acima dos mil metros?
Depois respondo com o equipamento.
Nunca faço o contrário.
Nunca escolho primeiro a roupa para depois ver a meteorologia.
É precisamente esta forma de pensar que me permite utilizar praticamente o mesmo sistema de equipamento durante todo o ano.
Mudam apenas algumas peças.
A filosofia mantém-se exatamente igual.
Não existe equipamento perfeito
Existe outro erro muito frequente.
Procurar “o melhor casaco”.
A melhor camisola.
O melhor polar.
O melhor impermeável.
Depois de muitos anos como guia posso dizer uma coisa com bastante tranquilidade.
Esses produtos simplesmente não existem.
Existem peças excelentes.
Mas nenhuma resolve todas as situações.
É por isso que gosto de falar em sistema de equipamento.
Cada peça complementa as restantes.
Cada camada desempenha uma função específica.
E todas trabalham em conjunto para manter o corpo confortável durante a caminhada.
É precisamente esse equilíbrio que devemos procurar.
Não a peça perfeita.
Mas sim o conjunto certo.
Uma regra que nunca esqueço
Sempre que preparo a mochila faço uma última pergunta.
“Em que situação vou utilizar esta peça?”
Se não conseguir responder de forma clara, provavelmente ela fica em casa.
Ao longo dos anos percebi que caminhar leve é uma das melhores decisões que podemos tomar.
Não apenas porque reduzimos o peso.
Mas porque simplificamos tudo.
A mochila.
As decisões.
A organização.
E até a própria caminhada.
A terceira camada: proteger do vento e da chuva pode ser mais importante do que proteger do frio
Se há uma peça de equipamento que nunca fica de fora da minha mochila, é o casaco impermeável.
Mesmo quando a previsão aponta para vários dias de sol.
Mesmo durante o verão.
Mesmo em Caminhos aparentemente fáceis.
Ao longo dos anos aprendi que, no Caminho de Santiago, o maior inimigo nem sempre é o frio.
Muitas vezes é o vento.
E logo a seguir vem a chuva.
É precisamente para enfrentar estas duas situações que existe a terceira camada.
Enquanto a primeira camada gere a transpiração e a segunda conserva o calor corporal, a terceira tem uma missão completamente diferente.
Proteger-nos dos elementos.
É a camada que impede que o vento retire rapidamente o calor produzido pelo nosso corpo.
É a camada que evita que a chuva molhe toda a roupa.
É também aquela que permite que as restantes camadas continuem a funcionar corretamente.
Sem uma boa proteção exterior, até a melhor camisola em lã merino ou o melhor casaco de plumas acabam por perder grande parte da sua eficácia.
É por isso que considero esta camada indispensável praticamente durante todo o ano.

A terceira camada protege-nos da chuva e do vento. É uma das peças mais importantes do sistema de camadas, pois permite manter o corpo seco e preservar a eficácia das restantes camadas.
O vento é muitas vezes mais perigoso do que a chuva
Quando pensamos em equipamento impermeável, imaginamos imediatamente dias de chuva intensa.
Mas existe um fator que muitas vezes passa despercebido.
O vento.
O vento aumenta drasticamente a perda de calor corporal.
Mesmo com temperaturas relativamente agradáveis.
Basta caminhar durante alguns quilómetros num planalto exposto, numa serra ou junto ao oceano para perceber rapidamente a diferença.
O corpo continua a produzir calor.
Mas esse calor é constantemente removido pelo vento.
A sensação térmica desce.
Começamos a sentir frio.
E, pouco tempo depois, acabamos por vestir mais roupa do que realmente precisaríamos.
É precisamente aqui que um bom impermeável faz toda a diferença.
Mesmo sem cair uma única gota de chuva.
Um impermeável não serve apenas para não nos molharmos
Existe outro erro bastante frequente.
Comprar um impermeável apenas porque “é impermeável”.
Na realidade existem enormes diferenças entre os vários modelos disponíveis no mercado.
Os impermeáveis mais baratos conseguem impedir a entrada da água.
Mas normalmente respiram muito pouco.
O resultado é conhecido.
A chuva não entra.
Mas o suor fica preso no interior.
Ao fim de poucas horas estamos praticamente tão molhados como se tivéssemos caminhado à chuva.
É precisamente por isso que dou tanta importância à respirabilidade.
Prefiro um casaco impermeável respirável de boa qualidade do que um modelo completamente estanque que me transforma numa sauna ao fim de meia hora de caminhada.
Vale a pena investir num Gore-Tex®?
Esta é outra pergunta que recebo frequentemente.
A minha resposta é simples.
Depende da utilização.
Se vai fazer apenas uma caminhada ocasional por ano, talvez existam soluções mais económicas perfeitamente adequadas.
Mas se pretende fazer vários Caminhos de Santiago.
Se gosta de trekking.
Se caminha frequentemente durante o inverno.
Ou se costuma encontrar chuva persistente.
Então considero que um bom impermeável com membrana Gore-Tex® ou equivalente é um excelente investimento.
Não porque seja obrigatório.
Mas porque oferece uma excelente combinação entre impermeabilidade, respirabilidade e durabilidade.
É um daqueles equipamentos que compramos uma vez e utilizamos durante muitos anos.
O meu sistema para dias de chuva intensa
Há situações em que um impermeável, por si só, deixa de ser suficiente.
Quem já percorreu o Caminho Primitivo durante o inverno sabe exatamente do que estou a falar.
Existem dias em que chove durante oito, dez ou doze horas consecutivas.
Não existem pausas.
Não existem abertas.
É chuva constante.
Nessas situações utilizo uma combinação que, ao longo dos anos, me deu excelentes resultados.
Primeiro visto o casaco impermeável.
Por cima utilizo um poncho impermeável.
À primeira vista pode parecer exagerado.
Mas existe uma lógica muito simples.
O impermeável protege o corpo.
O poncho protege simultaneamente o corpo, a mochila e parte das pernas.
Além disso, impede que a água escorra continuamente sobre os ombros da mochila, reduzindo bastante a entrada de humidade.
Foi precisamente esta solução que utilizei em várias etapas do Caminho Primitivo durante o mês de março.
Caminhei durante horas sob chuva persistente.
E consegui manter-me confortável durante praticamente todo o dia.
Caso tenha uma fotografia sua no Caminho Primitivo com chuva, este é exatamente o local ideal para a colocar.

Durante várias etapas do Caminho Primitivo utilizei impermeável e poncho em simultâneo. Em dias de chuva contínua esta combinação oferece uma proteção significativamente superior.
Poncho ou casaco impermeável?
Não existe uma resposta única.
Depende do tipo de Caminho.
Depende da meteorologia.
Depende também da experiência de cada peregrino.
O casaco impermeável oferece normalmente maior liberdade de movimentos.
É excelente quando existe vento forte.
É muito confortável durante a caminhada.
O poncho apresenta outras vantagens.
Protege simultaneamente a mochila.
Permite uma maior circulação de ar.
Ajuda a reduzir a acumulação de suor.
Por isso continuo a utilizá-lo em muitas situações.
Na verdade não considero que sejam equipamentos concorrentes.
São equipamentos complementares.
Um impermeável também protege a camada de isolamento
Existe um detalhe que muitos peregrinos desconhecem.
O impermeável não protege apenas o corpo.
Protege igualmente todas as camadas que utilizamos por baixo.
Se a chuva conseguir molhar completamente a camisola em lã merino.
Se molhar o polar.
Ou o casaco de plumas.
Todo o sistema perde eficácia.
É precisamente por isso que a terceira camada acaba por proteger também a primeira e a segunda.
As três trabalham em conjunto.
Nenhuma funciona isoladamente.
O erro de esperar pela chuva
Outro hábito muito comum consiste em caminhar até começar a chover para só depois vestir o impermeável.
Na maioria das vezes isso é um erro.
Quando sentimos as primeiras gotas já estamos muitas vezes atrasados.
A mochila já começou a molhar.
A camisola já absorveu alguma humidade.
E parar à chuva para vestir o impermeável torna-se muito menos confortável.
Sempre que vejo nuvens carregadas ou verifico que a chuva está prestes a chegar, prefiro parar durante um minuto.
Visto calmamente o impermeável.
Protejo a mochila.
E continuo a caminhar.
É um pequeno gesto.
Mas evita muitos problemas.
O equilíbrio é sempre a palavra mais importante
Ao longo deste artigo tenho repetido várias vezes a mesma ideia.
O objetivo não é levar mais equipamento.
É levar o equipamento certo.
Também acontece com a terceira camada.
Não precisamos do impermeável mais pesado.
Nem do mais caro.
Nem daquele que promete resistir a um furacão.
Precisamos apenas de um equipamento que responda às condições que vamos encontrar.
Esse equilíbrio faz toda a diferença.
No conforto.
No peso da mochila.
E na experiência global do Caminho.
A terceira camada completa o sistema
Depois de escolher uma boa primeira camada.
Depois de selecionar uma camada de isolamento adequada.
A terceira camada fecha finalmente o sistema.
É ela que permite adaptar-nos praticamente a qualquer situação meteorológica.
Calor.
Frio.
Vento.
Neblina.
Chuva.
Mudanças bruscas de temperatura.
Tudo passa a ser muito mais fácil de gerir.
E é precisamente por isso que, na minha opinião, o verdadeiro segredo não está em comprar muita roupa.
Está em compreender como cada camada funciona e como todas trabalham em conjunto.
Quando entendemos esse princípio, conseguimos caminhar mais confortavelmente, transportar menos peso e desfrutar muito mais do Caminho.
O equipamento adapta-se ao Caminho, não ao calendário
Ao longo deste artigo expliquei como utilizo o sistema das três camadas para me adaptar às diferentes condições meteorológicas que encontro no Caminho de Santiago.
Na realidade, a maior parte do equipamento mantém-se praticamente igual durante todo o ano.
O que muda são apenas algumas peças, consoante a temperatura, o vento e a probabilidade de chuva.
No verão opto por um equipamento mais leve, privilegiando a respirabilidade e a proteção solar.
Quando as temperaturas descem, acrescento uma camada de isolamento e reforço a proteção contra o frio, o vento e a chuva.
É precisamente por isso que nas fotografias seguintes pode ver o equipamento que normalmente utilizo em condições de verão e em condições mais exigentes.
Não são duas listas completamente diferentes.
São duas versões do mesmo sistema de equipamento.

O meu equipamento para o Caminho de Santiago no verão
Equipamento leve, respirável e preparado para enfrentar o calor, mantendo sempre uma camada de proteção para mudanças inesperadas do tempo.

O meu equipamento para o Caminho de Santiago em condições de frio, chuva e vento
À base utilizada durante todo o ano acrescento apenas algumas peças de isolamento e proteção, permitindo adaptar-me às condições meteorológicas mais exigentes sem aumentar desnecessariamente o peso da mochila.
Depois de milhares de quilómetros percorridos, continuo a acreditar que a melhor estratégia é sempre a mesma: levar apenas aquilo que realmente vamos utilizar.
No Caminho de Santiago, cada grama conta, cada subida faz-se sentir e cada escolha tem impacto no conforto ao longo do dia.
🎓 Academia do Peregrino Passa Montanhas
O conhecimento é o melhor equipamento que pode levar para o Caminho.
Cada artigo da Academia do Peregrino Passa Montanhas foi criado para o ajudar a preparar o Caminho de Santiago com mais conforto, segurança e confiança. Todos os conteúdos são escritos com base na experiência de milhares de quilómetros percorridos e no acompanhamento de centenas de peregrinos ao longo dos anos.
Continue a explorar os nossos guias e prepare a sua próxima peregrinação.
Como Evitar Bolhas no Caminho de Santiago
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Como Escolher o Melhor Calçado para o Caminho de Santiago
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Como Escolher a Mochila Ideal para o Caminho de Santiago
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Como Escolher os Melhores Bastões para o Caminho de Santiago
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O Que Levar na Mochila para o Caminho de Santiago
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Como Escolher as Melhores Meias de Caminhada
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Sobre o autor
Luís Negrita é Guia Profissional do Passa Montanhas, especializado em trekking e nos Caminhos de Santiago.
Ao longo dos últimos anos acompanhou centenas de peregrinos em diferentes rotas, ajudando-os a preparar e a viver o Caminho com segurança, confiança e uma abordagem personalizada.
Cada conselho partilhado neste artigo resulta da experiência adquirida no terreno e de milhares de quilómetros percorridos nos diferentes Caminhos de Santiago.
“O pior equipamento é aquele que carregamos durante todo o Caminho e nunca chegamos a utilizar. Cada peça deve ter um propósito, porque cada grama desnecessária acaba por se fazer sentir ao longo dos quilómetros.”
— Luís Negrita
Direitos de Autor
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