"Foi com as botas calçadas
que tomei as decisões mais
importantes da minha vida"
- LN

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Vale a pena utilizá-los? Descubra como caminhar com mais segurança, conforto e menos desgaste físico

Conselhos de Luís Negrita, Guia Profissional do Passa Montanhas

Quando falamos de equipamento para o Caminho de Santiago, poucos temas geram tanta discussão como os bastões de caminhada, também conhecidos como bastões de trekking ou walking sticks.

Há quem os considere indispensáveis.

Há quem diga que nunca precisou deles.

E depois existe um terceiro grupo, que encontro muitas vezes ao longo dos Caminhos de Santiago e dos Caminhos de Fátima…

Os que transportam os bastões presos à mochila, como se fossem duas antenas à procura de sinal de um qualquer satélite.

Confesso que sorrio sempre quando vejo esta situação.

Não porque esteja errado levá-los.

Mas porque, na maioria das vezes, o problema não está nos bastões.

Está simplesmente na forma como foram ajustados ou utilizados.

Ao longo dos anos, a acompanhar centenas de peregrinos, percebi que bastam alguns minutos de explicação e prática para que a opinião sobre os bastões mude completamente.

Hoje são um equipamento que considero indispensável.

Porque razão muitas pessoas deixam de os utilizar?

A resposta é simples.

Porque nunca aprenderam a utilizá-los corretamente.

Ao longo dos anos encontrei praticamente sempre os mesmos erros.

O primeiro é a altura dos bastões.

O segundo é a técnica de utilização.

Quando estas duas coisas estão erradas, os bastões deixam de ajudar e passam apenas a ser mais peso para transportar.

Como ajustar corretamente os bastões

Existe uma regra muito simples.

Quando segura no bastão com a ponta apoiada no chão, o braço deve formar aproximadamente um ângulo de 90 graus.

O cotovelo deve ficar naturalmente dobrado.

Se os bastões estiverem demasiado altos, obrigam os ombros a subir.

Se estiverem demasiado baixos, obrigam-nos a caminhar curvados.

Uma pequena afinação faz uma enorme diferença ao longo de muitos quilómetros.

O erro que vejo todos os dias

Outro erro muito frequente é a forma como os bastões são utilizados.

Muitas pessoas colocam-nos demasiado à frente do corpo.

Na realidade, esse movimento trava a caminhada.

Costumo explicar isto de forma muito simples.

Imagine um praticante de esqui de fundo.

Os bastões trabalham praticamente inclinados para trás.

Nunca na vertical.

Existe ainda outra regra muito importante.

A ponta do bastão nunca deve ultrapassar a ponta do pé.

Quando isso acontece, em vez de impulsionar o corpo, o bastão funciona como um travão.

Depois de alguns minutos de prática, o movimento torna-se completamente natural.

Um bastão ou dois?

Esta é outra pergunta muito frequente.

Vale a pena utilizar apenas um bastão?

Na minha opinião…

Não.

Os bastões foram concebidos para trabalhar em conjunto.

Quando utilizizamos apenas um, criamos um desequilíbrio no corpo.

O esforço deixa de ser distribuído de forma uniforme e acabamos por sobrecarregar um dos ombros, um dos braços e até a zona lombar.

Ao longo de uma caminhada de muitos quilómetros, esse desequilíbrio pode provocar fadiga desnecessária e desconforto muscular.

É por isso que aconselho sempre a utilização dos dois bastões.

Além de proporcionarem mais estabilidade, distribuem melhor o esforço por todo o corpo e permitem caminhar de forma muito mais natural.

Como costumo dizer:

“Um bastão apoia um lado do corpo. Dois bastões trabalham em equipa consigo.”

Os principais benefícios dos bastões de caminhada

Mais equilíbrio e estabilidade

A maioria dos acidentes durante uma caminhada resulta de pequenas perdas de equilíbrio.

Uma pedra solta.

Um piso escorregadio.

Uma raiz escondida.

Os bastões aumentam os pontos de apoio e dão-nos muito mais confiança para caminhar.

Mais segurança

Imagine uma descida longa.

Leva mochila.

As pernas já estão cansadas.

O terreno está molhado.

Uma pequena distração pode provocar uma torção num tornozelo ou num joelho.

Os bastões ajudam-nos a recuperar o equilíbrio e reduzem significativamente esse risco.

Como costumo dizer aos peregrinos…

Os bastões não evitam todos os acidentes.

Mas evitam muitos.

Menos esforço nas subidas

Nas subidas deixam de ser apenas um apoio.

Transformam-se num verdadeiro motor.

Ao utilizar braços, ombros e costas para impulsionar o corpo, reduzimos o esforço realizado apenas pelas pernas.

No final do dia a diferença é muito evidente.

Menos impacto nos joelhos

Este é, para mim, um dos maiores benefícios.

Especialmente nas descidas.

Cada passo representa uma forte carga sobre joelhos e tornozelos.

Quando utilizamos corretamente os bastões, parte desse impacto é absorvido pelos membros superiores.

Diversos estudos demonstram que essa redução pode atingir cerca de 25%, sobretudo quando caminhamos com mochila.

Depois de milhares de quilómetros percorridos, continuo convencido de que esta é uma das principais razões para utilizar bastões.

Os joelhos agradecem.

Melhor distribuição do esforço

Os bastões fazem com que braços, ombros, costas e pernas trabalhem em conjunto.

O esforço deixa de estar concentrado apenas nos membros inferiores.

O resultado é menos fadiga e uma caminhada muito mais confortável.

Um ritmo de caminhada mais constante

Quando aprendemos a utilizar corretamente os bastões, o corpo encontra naturalmente um ritmo constante.

Caminhamos de forma mais eficiente, com menor desgaste e durante mais tempo.

Muito mais do que bastões

Ao longo dos anos utilizei bastões para muito mais do que caminhar.

Já serviram para verificar a profundidade de um ribeiro.

Testar a estabilidade de um terreno.

Ajudar um peregrino lesionado.

Improvisar uma tala.

Montar um abrigo.

São provavelmente um dos equipamentos mais versáteis que levamos na mochila.

A minha experiência

Confesso que, há muitos anos, também olhava para os bastões com alguma desconfiança.

Hoje acontece exatamente o contrário.

Não faço praticamente nenhuma caminhada sem eles.

Aliás, quem participa num Caminho organizado pelo Passa Montanhas sabe que a utilização dos bastões faz parte da nossa filosofia de caminhada.

Antes da partida ensino sempre como devem ser ajustados e utilizados.

Porque um bastão mal utilizado pouco ajuda.

Um bastão bem utilizado pode fazer toda a diferença.

Depois de milhares de quilómetros percorridos, estou convencido de que os bastões são um dos melhores investimentos que podemos fazer na nossa saúde enquanto caminhantes.

Mais do que um simples acessório, são um verdadeiro seguro para os músculos, tendões e articulações, ajudando a reduzir o desgaste acumulado ao longo dos anos.

Costumo dizer aos peregrinos que não utilizamos os bastões apenas para chegar ao fim do Caminho de Santiago.

Utilizamo-los para continuarmos a caminhar durante muitos anos e, se possível, até ao fim da vida.

É essa a verdadeira vantagem dos bastões.

Proteger hoje o corpo que nos continuará a levar por muitos caminhos amanhã.

“Os bastões não servem apenas para chegar ao fim desta caminhada. Servem para proteger os músculos, os tendões e as articulações que queremos ver caminhar até ao fim da vida.”

Luís Negrita

Caminhe com quem conhece verdadeiramente o Caminho

No Passa Montanhas, acreditamos que uma boa preparação faz toda a diferença.

Nos nossos Caminhos Privados e na Mentoria Caminho de Santiago, ensinamos cada peregrino a utilizar corretamente todo o equipamento, incluindo os bastões de caminhada.

Porque o melhor equipamento só faz realmente diferença quando sabemos utilizá-lo.

🎓 Academia do Peregrino Passa Montanhas

O conhecimento é o melhor equipamento que pode levar para o Caminho.

Cada artigo da Academia do Peregrino Passa Montanhas foi criado para o ajudar a preparar o Caminho de Santiago com mais conforto, segurança e confiança. Todos os conteúdos são escritos com base na experiência de milhares de quilómetros percorridos e no acompanhamento de centenas de peregrinos ao longo dos anos.

Continue a explorar os nossos guias e prepare a sua próxima peregrinação.

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O Caminho começa muito antes da primeira etapa. Começa na preparação.
A Academia do Peregrino Passa Montanhas reúne conhecimento prático para o ajudar a viver o Caminho de Santiago da melhor forma possível.

Sobre o autor

Luís Negrita é Guia Profissional do Passa Montanhas, especializado em trekking e nos Caminhos de Santiago.

Ao longo dos últimos anos tem acompanhado centenas de peregrinos em diferentes rotas, ajudando-os a preparar e a viver o Caminho com segurança, confiança e uma abordagem personalizada.

Cada conselho partilhado neste artigo resulta da experiência adquirida no terreno, de milhares de quilómetros percorridos e da paixão por ajudar cada peregrino a viver o Caminho da melhor forma possível.

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